Blog e Fisica

Um blogue sobre Ensino de Física


Um blogue para uma audiência especí­fica: Professores, não necessariamente de Fí­sica ;-)

13.06.2020

18:05 Permalink Tecnologia na Educação para que?

Categories: Ensino, Educação, Fí­sica

Introdução

Vi essa foto no Linkedin e fiz um comentário. Como o comentário ficou um pouco grande resolvi trazê-lo para cá, fora dos jardins murados de serviços proprietários! Porque gerenciar seu próprio conteúdo é uma competência da cidadania na era da informação!

A foto e o comentário

Criatividade dos Professores

Professores se viram nos 30 para mitigar nossa crise sanitária

Esta foto é emblemática! A tecnologia usada como um "verniz de mais do mesmo". A tecnologia no lugar de produzir uma disrupção na escola é usada para repetir aulas expositivas!

Não me entendam mal. A Professora está fazendo o seu melhor para mitigar a impossibilidade da educação presencial! E merece muito mesmo nossos aplausos!

Mas precisamos refletir: qual deve ser o papel da tecnologia na educação? Uma ferramenta para deslocar o centro da gravidade do processo de aprendizagem-ensino para as aprendizagens (pense Vigotsky, Piaget, Pierre Lévy, etc) ou uma ferramenta para repetir as mesmas práticas focadas em um ensino massificado e homogêneo para todos?

Estendendo a conversa

Esta foto é emblemática por vários outros motivos! Os "neoluditas" que só enxergam na educação remota de emergência uma porta de entrada para a precarização do trabalho docente, verão (?) na foto uma evidência de sua tese!

Os Professores que entendem que a tecnologia precisa entrar na Escola, de maneira autoral e criativa, verão na foto uma evidência que se nos derem infra-estrutura e treinamento, nós Professores faremos o nosso melhor para que a Educação seja cada vez mais inclusiva, diversa e cognitivamente abrangente...

Os Professores de Física, possivelmente, verão apenas um exemplo de um sistema em equilíbrio estático!

Uma pessoa que valoriza seus Professores, reconhecerá o quanto estes profissionais se sacrificam para superar as mais inusitadas adversidades.

Cada vez mais eu me convenço que os desafios da educação, em tempos de isolamento social, não devem se resumir a um simples Zero ou Um - Sou contra ou a favor de educação remota de emergência... Como nos mostra esta simples foto, há muitas maneiras de se enxergar e se agir diante da nossa atual realidade!

E você, cara leitora/leitor, o que vê nesta foto?

Send feedback » Permalink

13.04.2020

19:49 Permalink Pílulas de Ciências sobre a Febre

Categories: Fí­sica

[Aviso anti-patrulha]
Este texto não é EAD! Nenhum estudante em idade escolar foi (ou será) maltratado, colocado em situação de injustiça social, entrará em sofrimento psíquico ( coloque aqui seus motivos para não se publicar conteúdos propedêuticos durante a quarentena) porque leu ou porque não teve condições materiais para acessar este texto. Ele foi publicado na melhor esperança de ser útil para aqueles que, facultativamente, possam tirar algum proveito do mesmo!
[/Aviso anti-patrulha]

Introdução

Apresento aqui um pouco da ciência envolvida sobre o diagnóstico da febre. Será um texto curto, com referências para aqueles que desejam explorar, com mais detalhes, os tópicos descritos.

Contexto

As autoridades sanitárias e de saúde, nas suas estratégias de combate à pandemia do coronavírus, orientam a população a ficar em casa para que o isolamento social reduza a taxa de contaminação e, nos casos de suspeita de contaminação, a pessoa contaminada, dependendo de seu estado de saúde, pode ser encaminhada para tratamento médico.

Entre os vários sinais de possível contaminação está a febre:


Fonte: Protocolo de manejo clínico da COVID-19 - Ministério da Saúde (Brasil 2020)

Febre

Como todos já devem saber nós, os seres humanos, somos mamíferos e portanto homotérmicos, isto é, nossa temperatura corporal, independente da temperatura do ambiente, permanece aproximadamente constante numa faixa, considerada ideal, que varia entre 36º C e 36,7º C.

Valores acima desta faixa, são consideradas febris:
estados febris
Fonte: Sítio web do Dr. Drauzio Varella

Medição da Temperatura

Em princípio qualquer termômetro calibrado para medir temperaturas na faixa de temperatura dos seres humanos serve! Entretanto existem os termômetros construídos e calibrados para a medição de temperatura de pessoas, os chamados termômetros clínicos.

No Brasil, os termômetros clínicos devem ter faixa de operação de 35ºC à 42ºC. Com resolução (subdivisões na escala) de décimos de grau Celsius para que se possa fazer leituras fracionadas com mais precisão!

Independente do tipo de termômetro clínico (analógico, digital ou por infravermelho) o mesmo deve entrar em equilíbrio térmico com a pessoa para que a medição de temperatura seja correta! Qualquer que seja o modelo de termômetro clínico utilizado, todos eles obedecem ao mesmo princípio: Uma grandeza física (volume, tensão, frequência, etc) varia com a temperatura de um modo conhecido. Assim uma relação de correspondência (função matemática) ocorre entre os valores da grandeza termométrica e o valor da temperatura!

Os detalhes de construção e funcionamento de cada termômetro podem ser objetos de pesquisa pelos mais interessados. O importante é que, a mesma ciência básica, fundamenta os mais variados termômetros clínicos. Desde os termômetros analógicos (que estamos mais acostumados) até os modernos termômetros de infravermelho.

Termômetro Clínico Analógico

Termômetro clínico analógico

Neste termômetro a grandeza termométrica é o volume (de mercúrio ou álcool). Há um mecanismo para que o líquido dilatado não retorne ao volume original durante a leitura da temperatura. Para se voltar ao volume original (e se fazer uma nova medição) o termômetro precisa ser sacudido!

Termômetro Clínico por Infravermelho

termômetro infravermelho

Como todos os corpos estão trocando calor com o ambiente e, umas das formas de se trocar calor é por irradiação. Pode-se medir a frequência da radiação infrevermelha irradiada por um corpo. Neste caso, a grandeza termométrica é a frequência da radiação eletromagnética emitida. Sabe-se que essa emissão de radiação infravermelha pode ser relacionada (de modo bem conhecido) com a temperatura!

Termômetro Clínico Digital

Termômetro Digital

Neste termômetro, a temperatura é correlacionada com alguma grandeza elétrica (que vai depender da construção do termômetro). Este termômetro pode, dependendo do modelo, inclusive armazenar as últimas medições feitas.

Avisos Importantes

  • Sempre leia o manual de funcionamento do seu termômetro clínico.
  • Há vários motivos para estados febris. Somente profissionais de saúde podem diagnosticar, com base em protocolos médicos, as causas dos estados febris!
  • Alfabetização científica qualifica a vida cidadã!

Referências

Send feedback » Permalink

5.04.2020

19:41 Permalink 7 dicas para aqueles que querem apoiar pedagogicamente, neste momento de crise, os estudantes

Categories: Ensino, reflexão, Educação

Introdução e Contexto

Eu me deparei com o vídeo abaixo de 6,22 min, em inglês (mas você pode ligar as legendas em português (ou em inglês, se quiser "improve your english") e que me pareceu bastante oportuno para o momento que vivemos.

Na escola que trabalho (e mesmo uma grande parte dos militantes da associação de docentes da minha escola) muitos colegas professores levantam a questão que não devemos fazer EAD, neste momento, porque seria excludente. Argumentam (para além das questões legais) que não temos treinamento e muitos de nós não temos a expertise ou a infraestrutura ideal. Para muitos, a única coisa que importa, agora, é que todos se mantenham sãos e seguros!

Eu penso que, embora eles estejam corretos e eu concorde com suas premissas, discordo da conclusão: Não devemos fazer nada para apoiar pedagogicamente os estudantes? Eu acho que podemos, facultativamente, dispor apoio pedagógico àqueles estudantes que puderem, tiverem os meios ou desejarem.

As 7 dicas

É o que o Professor de Inglês numa HighSchool estadunidense (Sacramento, California, EUA) Larry Ferlazzo aparentemente também acha e ele resume em 7 dicas!

Para os apressados da geração "Twitter" listo abaixo, resumidamente, as dicas do vídeo. Exceto pelas escolhas tecnológicas do Professor (as minhas já apontei aqui) concordo em 100% com suas 7 dicas!

  • Não faça nada valendo nota!
  • Enfatize a aprendizagem sócio-emocional (conteúdo não é necessariamente o foco!)
  • Prefira interações assíncronas - existe vida além dos vídeos e chats!
  • Não existe uma ferramenta/estratégia/prática única para todos os casos!
  • Quando possível, individualize o apoio pedagógico! (Eu sei, pode ser inviável para a maior parte de nós)
  • A minha preferida: Escolha soluções simples!
  • Seja generosa/o (consigo, com os colegas, com os estudantes, com todos)

As premissas são que os estudantes tenham acesso regular a internet, que vamos construir um avião durante o voo e que nada é absoluto! Portanto, abaixe as pedras ligue as legendas em pt-br e veja o vídeo:-)

3 feedbacks » Permalink

19.03.2020

03:35 Permalink Porque aulas online em substituição às presenciais, neste momento, é "ideia de jerico"*.

Categories: Ensino, reflexão, Educação

Introdução

"Ideia de jerico": " é uma expressão popular usada quando determinada pessoa tem uma ideia absurda ou má."

11 em cada 10 ignorantes sobre educação, deslumbrados com tecnologia ou vendedores de soluções "online" advogam que é a tecnologia que pode resolver (por si só) problemas educacionais... Sim Abraham Weintraub, estou olhando para você!

Deixe eu contar uma coisa:

"Ambientes virtuais de aprendizagem são inevitavelmente projetados com um modelo pedagógico em mente que normalmente não é explicitado" ((BRITAIN & LIBER:1999))

Não tenho esperança que o Weintraub entenda isso! Mas você, caro leitor, sei que vai pegar a ideia! O pedagógico antecede a tecnologia! Digo mais: o contexto informacional, social e afetivo antecedem a tecnologia!

Escola é um espaço de aprendizagens! Não é um espaço somente de exposição de conteúdos educacionais! Gravar exposição de conteúdos educacionais não é educação nem substitui as aulas presenciais na escola básica!

Faz parte das experiências de aprendizagens, na Escola, conviver com visões de mundo diferentes, exercitar a empatia, o convívio com o diferente... Por isso "aulas online", na escola básica, é péssima ideia do ponto de vista de quem aprende a menos tempo (os estudantes, segundo Vygotsky)!

Do ponto de vista de quem está aprendendo há mais tempo e que cria situações de aprendizagem (por exemplo, aulas presenciais) mudar a perspectiva do espaço presencial para o espaço online implica: capacitação docente, pesquisa sobre o público, ferramentas, tecnologias e apoio de todo um conjunto de profissionais (designs, ilustradores, editores de vídeo, diretores de arte, suporte técnico, etc)... Não é uma tarefa trivial quando se pensa em educação de qualidade!

Do ponto de vista do "ecossistema tecnológico" necessário para que as coisas funcionem é necessário infraestrutura tanto por parte dos estudantes (conexão regular, dispositivos compatíveis, etc) quanto por parte dos professores e instituição!

Portanto, esta modalidade vai contra o que preconiza nossa Constituição em seu artigo 206 Incisos I e VII:


Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
VII - garantia de padrão de qualidade.

Sem jurisdiquês e em bom português: Esta estratégia além de fortemente excludente é inconstitucional!

E nem vou entrar na seara de capacitação docente, fornecimento de infraestrutura e saúde dos professores!

Diálogos e Possibilidades

Descartando as "aulas online" pelos motivos expostos anteriormente e mesmo as abordagens mais sérias de EAD (EAD é maior e mais abrangente que "aulas online", ok?) ficamos ainda com a questão: o que professores/escolas/estudantes/responsáveis podem fazer neste momento de pandemia?

Pessoalmente, defendo diálogo e experimentações horizontais facultativas!

Diálogo no sentido de que nada pode ser definido de cima para baixo. Nada de gestor baixar portaria obrigando que profissionais de educação realizem tarefas para as quais não tem formação ou interesse (aulas online, produção de listas, orientações, etc)!

Aqueles profissionais, que desejarem, podem elaborar/dispor/compartilhar recursos educacionais (com ou sem mediação assíncrona e a distância) para que estudantes, que queiram, possam usar seu tempo ocioso para estudar durante este período!

O fato de alguns estudantes se interessarem (e possuirem as condições materiais para acessar tais materiais) não configura aula dada! Não estarão (nem os professores que dispuseram facultativamente o material) dispensados de, no retorno às aulas, seguirem o mesmo calendário escolar!

Vivemos um momento atípico! Não devemos homogenizar como cada profissional de educação vai lidar com a situação! Alguns poderão ter que cuidar de parentes ou de si mesmos, outros poderão, legitimamente, ocupar-se com outras tarefas... e alguns, para sua própria sanidade mental, desejarão produzir materiais de apoio de modo não formal!

Isto não configura EAD nem obriga que todos tenham que agir do mesmo jeito! Sim, há aqueles que "satanizam" quem quer produzir material neste período!

E finalmente, terminado este período de quarentena, deve-se dialogar com a comunidade escolar sobre a melhor forma de se atender a legislação sobre o número mínimo de dias letivos, no melhor espírito ganha-ganha.

EAD/Ensino Híbrido - Alguns paradigmas para um eventual plano B

Ok e se a quarentena precisar durar muito tempo? O que poderia ser feito a respeito?

Pessoalmente acredito que, no nível superior, abordagens de EAD pensadas e planejadas colocando-se o pedagógico a frente do tecnológico e, levando-se em conta o perfil tecnológico do estudante médio brasileiro, podem ser implementadas com grandes chances de minimizar os prejuízos de um longo período sem aulas presenciais! E, com escolhas tecnológicas corretas, talvez possa funcionar, também, no ensino médio! E sim, não há a menor chance de aplicarmos EAD no ensino fundamental e nos anos iniciais do ensino fundamental.

Para os mais céticos com a EAD, todos os argumentos elencados acima (e abaixo), podem ser aplicados, no retorno das aulas, numa pegada de Ensino Híbrido!

E, mais importante e tudo! Caso se adote EAD ou Ensino Híbrido, não vamos reinventar a roda, nem gastar dinheiro público com as gigantes da internet (estou olhando para você google!). Já existe, no setor público, muito conhecimento acumulado! Tanto nas universidades públicas, quanto em iniciativas públicas com bastante expertise em EAD, para citar apenas duas: UAB e CECIERJ!

O que são escolhas tecnológicas corretas? Que paradigmas tecnológicos deveriam ser adotados? Sem maiores discussões, para este texto não ficar excessivamente longo, vou enumerar abaixo as minhas opiniões (são opiniões, não receitas ou verdades, ok! Pode guardar as pedras :-)):

Paradigmas "Pedagógicos-Técnicos" para um "plano B" de uso da EAD ou Ensino Híbrido para "minimizar os prejuízos de uma quarentena muito longa

[Atualização]
Aqui uma interessante discussão sobre como o ensino superior (pessoalmente acredito que algumas ideias valem para a escola básica) poderia aproveitar esta crise (coronavírus) para se reinventar!
[Atualização]

  • Cursos baseados em texto e somente com as mídias (figuras em detrimento de vídeos) minimamente necessárias - Eu descarto vídeo aulas por motivos técnicos [não haverá disponibilidade de banda nem para as instituições de ensino (alto tráfego) nem para uma grande parte dos estudantes (banda larga não é universal no Brasil)]
  • Minimalismo Tecnológico e padrões abertos - Um curso usando listas de discussão por e-mail e um blogue ou wiki de referência pode ser muito mais acessível e fácil de implementar e treinar os professores, do que usar plataformas de EAD ou pior, plataformas proprietárias das gigantes da internet!
  • Cursos Colaborativos - Taí uma chance para superarmos o modo tradicional com que os professores trabalham (sozinhos cada qual fazendo o seu planejamento individualmente, na maior parte dos casos) para uma perspectiva em que aprendemos a trabalhar em redes colaborativas, isto é, de professores conectados!
  • Experimentar uma perspectiva conectivista de educação. A ideia aqui é estender o conceito de aprendizagem sócio-interacionista do Vygotsky para incluir os avanços tecnológicos: Aprende-se na interação daqueles que estão aprendendo há mais tempo (professores) com aqueles que estão aprendendo a menos tempo (estudantes), o conhecimento se encontra, também, em dispositivos e sistemas!

É uma tarefa fácil? Definitivamente não! Mas é melhor usar este momento de crise para se produzir disrupções na escola do que tentar reproduzir as mesmas práticas da era industrial - que já sabemos estão caducas - com verniz de tecnologia e modernidade!

[atualização]
Para aqueles profissionais de educação interessados num curso aberto massivo gratuito e online sobre EAD este aqui (https://moocead.net/) com duração de 12 semanas (iniciou em 20/03/2020) pode ser uma boa opção!. Eu fiz este curso em 2012. Aqui o Currículo Vitae do curador/dinamizador/coordenador do curso! Recomendo! Tenha em mente que um curso aberto e massivo requer bastante foco dos alunos!
[/atualização]

Send feedback » Permalink

::

Archives

[Contact] [Log in] [Admin]


CMS + email marketing