Pausa de Final de Ano

Publicado em sáb 22 dezembro 2007 na categoria Pessoais

A fim de todos nós nos ocuparmos com a primeira vida, o Sérgio Blog fará uma parada até 05/01/2008.

Deixo com vocês, leitores regulares e eventuais deste espaço, esta mensagem que recebi por e-mail atribuída ao Rabino Nilton Bonder, da Congregação Judaica.


OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS

Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no
descanso divino, no sétimo dia da Criação.

Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.

A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a
vida lentamente se extingue.

Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde
o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos
mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação . Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A própria palavra
entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma
forma de depressão.

O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.
Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para
aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um
divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem
as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo..

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão
não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do
Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e
dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode
parar no fim.

Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...

Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'. Saímos da
escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?

Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto
e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção.

O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente, ficar
desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A
pergunta que as pessoas se fazem no descanso é 'o que vamos fazer hoje?' - já
marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não
sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É
este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do
tempo uma mercadoria.

Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar
um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

Ótimas pausas e ótimas festas para todos e até 2008...

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